A minha primeira Maratona

Concluir uma maratona aos 40 e tal anos é um desafio ambicioso. Ontem, concretizei esse sonho. Foi emocionante e inesquecível. Por isso, não resisto a partilhar com vocês essa experiência.

Em 2014, após terminar a primeira meia, decidi que no ano seguinte trocaria a partida da Ponte Vasco da Gama pela de Cascais. A preparação começou nesse instante.

Para a concretizar esse objetivo, procurei amigos e corredores mais experientes, atletas que concluíram os 42,195km várias vezes. Conversei, perguntei, ouvi conselhos, dicas e avisos. Em comum, todos destacaram a importância da preparação e recordaram a emoção da chegada.

Seguir um plano de treinos é fundamental. Para além da estratégia, é ainda crucial compreender a lógica da mesma e adaptá-la a um objetivo realista. Colocar metas demasiado ambiciosas parece-me uma imprudência sobretudo em provas longas e desconhecidas. Com três meias maratonas em tempos médios de 01h45, considerei razoável concluir a maratona em menos de quatro horas.  Aos poucos, fui calibrando o ritmo pretendido (5,25-5,35). A participação em alguns trails de 30km ajudou-me a conhecer melhor o meu corpo e a gerir o esforço, a hidratação e nutrição. Saber o que tomar e quando.

Na véspera da prova descansei, bebi muita água e isotónico. Alimentei-me com refeições ricas em hidratos de carbono. Tentei relaxar. A meteorologia prometia muita chuva, vento e alguns trovões. Dormi. Aquilo que não depende da tua ação, não merece a tua preocupação.

No dia da prova, contra todas as previsões, a chuva deu tréguas. A minha estratégia era correr ao ritmo médio de 5,30 para obter um tempo suficiente para suportar algum desgaste no final. Objetivo atingido. Mantive o ritmo estável até aos 35km, depois a força foi sobretudo psicológica.

Após os 30km, na subida da Rua do Ouro em direção ao Rossio, sou ultrapassado pela bandeira das quatro horas. Fiquei literalmente atrás do meu objetivo. Foi um murro no estômago e um momento decisivo. Reagi na descida pela Rua da Prata. Fui buscar forças a sítios esquecidos e recuperei a posição antes de chegar à marginal. Esta decisão que marcou o sucesso da prova. Entretanto, os desafios ainda estavam longe de terminar. A última meia hora foi a mais difícil. Os quilómetros entre Santa Apolónia e a entrada do Parque das Nações foram os mais longos e desafiantes. Após o encontro abrupto com os atletas da meia-maratona, o objetivo era agora contrariar a mente que teimava a querer parar o corpo. Sentindo-se ameaçada, reagiu, lançando dores musculares e pensamentos derrotistas. Ignorei os esticões nos gémeos, os apertões nos dedos dos pés, medos e receios de várias cores e formas. O objetivo é esvaziar a mente e levar o corpo até à rotunda do Parque das Nações. Aqui a prova deixa de ser física e passa a ser mental. E amigos, é preciso estar preparado. Olhar os pensamentos com distanciamento, como nuvens que passam, concentrar unicamente na respiração ou fixar num ponto distante, são alguns exercícios meditativos que recomendo.

A cruzar a meta de uma maratona pela primeira vez dentro dos nossos objetivos é uma das emoções mais fortes que alguma vez senti. Agradeço a todos os amigos que me ajudaram na preparação desta prova. A Maratona transforma-nos em seres melhores, mais confiantes, tolerantes e generosos. Até breve.

Anúncios

Um comentário sobre “A minha primeira Maratona

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s